As tendências de viagem que definirão 2026: Destinos solo em alta e a revolução dos cruzeiros

As tendências de viagem que definirão 2026: Destinos solo em alta e a revolução dos cruzeiros

Para quem planeja cair na estrada sem a companhia de família ou amigos, o cenário para 2026 já tem seus protagonistas definidos. Segundo um novo levantamento da FTLO Travel, agência focada no público entre 25 e 39 anos, o desejo de explorar o globo continua sendo a força motriz, com quase 74,6% dos viajantes solo entrevistados citando a simples vontade de “ver o mundo” como seu principal objetivo. Embora a maioria — cerca de 51% — ainda não tenha batido o martelo nas reservas para 2026, a intenção é clara: pouco mais de 42% afirmam que pretendem viajar mais neste ano do que fizeram em 2025.

No topo da lista de desejos desses viajantes solitários estão três países em particular: Japão, Austrália e Nova Zelândia. Além da forte presença da Oceania e da Ásia, a Europa segue no radar, com a América do Sul e a África completando o ranking de preferências regionais.

O trio de ouro para viajantes solo

O Japão lidera a lista como o país mais cotado, oferecendo uma combinação quase imbatível de conveniência moderna e profundidade histórica. O destino desponta também como uma opção amigável ao bolso, auxiliado pela desvalorização do iene. A recomendação estratégica é visitar na primavera para vislumbrar as cerejeiras em flor ou no inverno para aproveitar o lendário “Japow” nas estações de esqui. Entre onsens (fontes termais) relaxantes e templos centenários, a infraestrutura hoteleira acompanha o alto nível, desde o recém-renovado Park Hyatt Tokyo até o luxuoso Rosewood Miyakojima com suas vilas à beira-mar.

Logo atrás vem a Austrália, celebrada por sua natureza exuberante e metrópoles vibrantes. O acesso ao país ficou ainda mais fácil com a decisão da United Airlines de inaugurar voos diretos de São Francisco para Adelaide, na Austrália do Sul. O roteiro ideal para quem vai sozinho inclui degustações em vinícolas da Austrália Ocidental, espetáculos na icônica Sydney Opera House e a exploração de ilhas subestimadas. Para a hospedagem, destaca-se o Capella Sydney, um antigo prédio do Departamento de Educação transformado em hotel de luxo.

Fechando o pódio, a Nova Zelândia (ou Aotearoa) garante que o tédio passe longe, seja explorando Queenstown ao ar livre, caminhando pelo porto de Auckland ou mergulhando na gastronomia local. Sendo o terceiro país mais popular para 2026, oferece diversas experiências em uma única viagem. A conectividade aérea também é um ponto forte, com diversas opções de voos diretos saindo de várias cidades dos Estados Unidos, operados pela Air New Zealand e outras grandes companhias americanas.

A reinvenção das viagens de cruzeiro

Enquanto os viajantes solo planejam suas jornadas terrestres, o setor de cruzeiros passa por uma transformação radical, afastando de vez o estigma de ser um território exclusivo de aposentados. Com itinerários mais diversificados do que nunca, o momento para reservar uma aventura oceânica ou fluvial é agora. A indústria persegue um novo perfil demográfico: a Geração Z.

Os dados são contundentes e revelam uma mudança de comportamento. Um relatório da CLIA aponta que 76% dos jovens dessa geração que já fizeram um cruzeiro planejam repetir a experiência. A Royal Caribbean, por exemplo, notou um aumento de 19% nesse público entre 2024 e 2025. Isso forçou as empresas a mudarem a comunicação, apostando pesado no marketing de influência e nas redes sociais para criar impulso. Billy Bohan Chinique, diretor sênior da Virgin Voyages, explica que os influenciadores mostram a experiência real de uma forma autêntica, longe dos comerciais tradicionais. Quando o público jovem vê seus pares se divertindo a bordo, a percepção de que cruzeiros são “coisa de avós” cai por terra.

Imersão cultural e destinos autênticos

O que move esse novo viajante, contudo, é a autenticidade. Helle Seuren, da Sail Croatia, observa que a Geração Z viaja de forma diferente de seus antecessores. Eles buscam baías escondidas, cidades antigas, trilhas costeiras e culinária local, indo muito além da simples vida noturna. Os cruzeiros “Navigator” da empresa, focados na faixa de 18 a 39 anos, equilibram exploração e socialização ao longo da Costa Dálmata, atendendo a essa demanda por conexão real com o destino.

Essa busca por experiências genuínas também impacta os destinos clássicos. A Grécia continua atraindo milhões por suas paisagens e clima, mas a superlotação em ícones como Mykonos e Santorini durante a alta temporada tem levado viajantes conscientes a buscarem alternativas.

Lee Haslett, da Celestyal Cruises, destaca um apetite crescente por ilhas gregas menos conhecidas, como Milos e Pátmos. O uso de navios de médio porte permite acessar portos menores e realizar pernoites, gerando a imersão cultural que o hóspede curioso de hoje procura, além de distribuir melhor o turismo e apoiar pequenos negócios locais. Operadoras como a Explora Journeys e a Variety Cruises seguem essa mesma linha, oferecendo itinerários que misturam a energia de Atenas com a elegância de Syros ou portos boutique que a maioria dos turistas sequer ouviu falar, provando que, em 2026, o luxo está na descoberta do inexplorado.